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Produto inovador para redes de fibra óptica

20/3/2001
Gazeta Mercantil

Um produto inovador criado pela Fiberwork Comunicações Ópticas, empresa fundada em Campinas há dois anos, chama a atenção de investidores da área de telecomunicações. Idealizado para ser usado em testes de filtros para redes ópticas, foi batizado de Fiber Bragg Gratting Test Instrument.(FBGTI).

A empresa, uma das adotadas pela Companhia de Desenvolvimento do Pólo de Alta Tecnológica (Ciatec), lançará o produto em agosto. "O potencial de venda inicial é de mil unidades, o que poderá gerar uma receita de US$ 50 milhões", afirma Sérgio Barcelos, diretor de tecnologia e fundador da empresa.

O FBGTI, formado por um conjunto de equipamentos deverá ser vendido por US$ 50 mil. O produto permite a análise da situação de uma rede óptica a partir de um conjunto de medidas baseado na fotônica, ciência que estuda a transmissão de dados por meio da luz. "Com a fotônica, há a perspectiva de aumentar a capacidade de transmissão das fibras ópticas em pelo menos 200 vezes", afirma Barcelos. Os produtos similares existentes no mercado têm a precisão reduzida por utilizarem medidas da eletrônica e custam US$ 220 mil, segundo o diretor.

Uma das principais aplicações do produto será atender as redes que utilizam a tecnologia DWDM (multiplexagem densa por comprimento de onda), um sistema que permite aumentar a largura de banda, compatível com as tecnologias atuais, e que é capaz de multiplicar a capacidade da transmissão de dados. "A tecnologia permite que sejam criadas fibras virtuais dentro da fibra, o que dispensa novas instalações e investimentos. A capacidade atual é de 192 canais de 10 gigabits cada", afirma. Atualmente, as redes construídas têm capacidade para 80 canais.

Para o diretor, a nova tecnologia é o primeiro passo do segmento rumo à fotônica. "A fibra óptica atual tem vida útil de 20 anos e, no futuro, os terminais serão trocados para não dependerem mais da eletrônica", diz.

Um dispositivo chamado de Fiber Bragg Grattings (FBG), usado para refletir, filtrar ou dispersar a luz dentro da fibra óptica, mostrou-se importante para o desenvolvimento da nova tecnologia. É nesse momento que entra o produto criado pela Fiberwork, responsável por testar o desempenho das redes DWDM. Para Barcelos, o FBGTI chega para ocupar um mercado sem competidores.

O produto atraiu as atenções de gigantes do setor e rendeu um prêmio para a empresa, o britânico "Metrology of World Class Manufacturing Award". O desenvolvimento do projeto contou com o apoio do programa Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (PIPE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Para Barcelos, o produto tem potencial no mercado internacional, entre empresas provedoras de infra-estrutura na área de telecomunicações. No ano passado, o mercado de redes DWDM movimento US$ 5,5 bilhões nos Estados Unidos. A expectativa é de que, em dois anos, o setor gere investimentos de US$ 18 bilhões.

Investidores

O diretor da Fiberwork está nos Estados Unidos na Optical Fiber Conference (OFC), uma das maiores feiras do setor, e avaliará propostas de investidores. No final da semana participará do evento Telexpo, em São Paulo, onde a Fiberwork lançará o produto Fiberphone, um telefone óptico para ser utilizado por técnicos de campo durante a instalação de redes.

Segundo Barcelos, a idéia do Fiberphone surgiu durante trabalhos de consultoria e diagnóstico de redes, outro ramo de atuação da Fiberwork. "O País atraiu investimentos de US$ 12 bilhões para a montagem de redes ópticas. Um produto como o nosso tem ótimo potencial de mercado, principalmente por apresentar diferenciais em relação aos similares japoneses e norte-americanos existentes no mercado", afirma.

A partir da necessidade de comunicação entre técnicos, inviável em locais onde não há antenas de telefonia celular, nasceu projeto, que ganhou como diferencial opções como conexão além da fibra óptica, com linha telefônica e celular. "Há a possibilidade de conferências telefônicas entre operados de campo e os escritórios. O serviço será agilizado, diz o diretor.

Daniela Prandi